EDITORIAL

A Educar em Revista assume nesse número quatorze algumas diretivas novas na sua linha editorial, visando com isso consolidar o seu espaço na circulação das idéias e na promoção dos debates específicos da área educacional.

O momento escolhido para expandir as nossas atividades talvez não seja o mais propício, pois as tendências em curso na condução da política universitária brasileira, particularmente no que concerne ao desmonte das universidades públicas por parte do governo federal, nos constrangem a determinadas situações difíceis de serem contornadas no exercício das funções acadêmicas. Não obstante, distantes das ingenuidades e apesar dos constrangimentos, acreditamos que não nos resta alternativa, senão continuar trabalhando pelo desenvolvimento da ciência e do ensino público em nosso país.

A divulgação, a análise e a crítica das idéias e das experiências educacionais são os objetivos principais dessa revista. Logo, visando sempre aperfeiçoar os meios que nos permitem alcançá-los, continuamos modernizando o nosso periódico impresso, além de torná-lo acessível, em breve, de forma on-line. No plano administrativo promovemos uma ampla reforma nas estruturas organizativas da Educar em Revista, com destaque para a decisão de redefinirmos os critérios de publicação a partir da formação de um Conselho Editorial Nacional. Acreditamos que essa é a maneira mais adequada de mantermos a qualidade dos artigos publicados, a transparência no processo de seleção e, sobretudo, nos possibilita ampliar a nossa inserção no plano nacional dos debates pedagógicos.

No que diz respeito à linha editorial, optamos por um modelo misto, ou seja: uma parte do periódico tratará de uma temática específica da área educacional, previamente definida pelo Conselho Consultivo da Revista, enquanto que a outra parte publicará artigos que, avaliados pelo Comitê Editorial, abordarão os mais diversos objetos de estudos relacionados à educação.

Nesse número quatorze essa linha editorial já começou a ser posta em prática, porém de forma parcial, em virtude da urgência da sua publicação. A justificativa dessa urgência está na nossa intenção de fazer coincidir o lançamento desse número com a abertura do III Simpósio Latino Americano e Caribenho de Educação em Ciência do ICASE que, pela primeira vez, realiza-se na nossa universidade. A dimensão desse evento pode ser evidenciada pelo número de participantes — em torno de mil e duzentos inscritos, provenientes de todo país e do exterior — e, sobremaneira, pela qualidade dos cerca de quinhentos trabalhos que serão debatidos nesse evento. Nosso objetivo com esse número, preparado em exíguos sessenta dias, foi possibilitar à área da educação e, particularmente, aos interessados em Educação em Ciências um amplo panorama das discussões sobre essa temática, a partir de artigos produzidos pelos principais especialistas dessa área que participam desse simpósio. Os artigos publicados, em língua portuguesa e em espanhol, expressam as idéias desenvolvidas por intelectuais de grande renome nessa área, traduzindo as experiências desenvolvidas em diversos países, tais como Cuba, Canadá, Brasil, Inglaterra e EUA.

Para nós da Educar em Revista é um privilegio poder publicar essa coletânea de artigos que, de certa maneira, nos impõe a difícil tarefa de nas próximas publicações mantermos esse nível de qualidade. Porém, esse é um desafio que aceitamos de bom grado.

 

Curitiba, 04 de outubro de 1999.

O Editor

 

RESUMOS

Número Temático: Educação em Ciências

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Uma análise dos livros didáticos de conceitos de acidez para estudantes de 16 a 18 anos de idade

John Oversby

Ph. D.

Escola de Educação Reading University, Reino Unido

 

RESUMO

O presente artigo tem como objetivo explorar a apresentação de idéias sobre ácidos (e bases) em alguns livros didáticos utilizados no ensino de estudantes de 16 a 18 anos que tenham disciplinas de química nos cursos "A Levels" das escolas da Inglaterra e do País de Gales. Também pretende-se fazer uma comparação dos diferentes conceitos de ácidos com seus desenvolvimentos históricos, analisando a amplitude e a profundidade de poder exploratório de cada modelo. Além do interesse intrínseco, tem-se a impressão de que os professores aprendem muito em suas experiências sobre o que ensinar, e como desenvolver tais idéias, a partir dos livros didáticos utilizados. Isto se torna, provavelmente, mais comum do que o praticado anteriormente, onde reuniões administrativas nas escolas exigiam um tempo considerável de orientação de professores iniciantes por professores mais experientes.

 

Trad.: Dra. Adélia Sílvia Angeli Teixeira de Paula, UFPR, Brasil

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Ciência na nossa cultura? Uma práxis de educação em ciências e matemática: oficinas participativas

Maurice Bazin

Ph. D.

Universidade Federal de Santa Catarina

mauriceb@exploratorium.edu

 

RESUMO

Foi-me solicitado um artigo "com a intenção de divulgar as idéias da cultura científica e tecnológica" como "atividade preparatória ao 3º Simpósio do ICASE". Esta colocação me leva a tentar esclarecer o que seria aquela "cultura científica e tecnológica" e porque seria necessário divulgar suas idéias? Enquanto, você, leitor, me lê como "atividade preparatória" ao Simpósio, eu ando procurando fitas de papel, garrafas de plástico transpa-rente, bexigas, pilhas usadas, plaquinhas de cobre, outras de zinco ou alumínio, conta-gotas, e flechas originais dos índios Kaingang. Com aquele material "tecnológico", e sem palestrar, oferecerei durante a nossa reunião algumas oficinas: acompanharei um grupo de duas dúzias de colegas-professores em seus esforços de fazer Ciência e matemática, envolvendo-se comigo em questionar o mundo material e técnico que nos rodeia, e de elucidar os conceitos matemáticos e físicos que nossas manipulações revelarão. Essas atividades terão como meta poder levar as crianças a viverem na sala de aula sessões de descobrimento e discussão tão ricas, surpreendentes e agradáveis como as que viveremos juntos entre docentes. Assim, possivelmente, ofereceremos alguma coisa de Ciência à nossa cultura.

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O ensino experimental na escola fundamental: uma reflexão de caso no Paraná

Christiane Gioppo

Mestre, UFPR


Elizabeth Weinhardt O. Scheffer

Mestre, UEPG


Marcos C. Danhoni Neves

Doutor, UEM

 

RESUMO

Este ensaio aborda o papel essencial das atividades experimentais nas escolas de ensino fundamental. O texto divide-se em sete tópicos: eles procuram argumentar sobre a necessidade de um projeto pedagógico, o qual vincule intimamente as atividades experimentais ao ensino de Ciências que a escola deseja desenvolver. Para isso, defendemos a escola autonômica, que organiza e executa seu projeto pedagógico, que escolhe materiais essenciais às atividades propostas, que luta, enfim, pelo seu direito à independência. Na conquista desse status, pelo menos um ponto é mister destacar: a desvinculação dos materiais – suportes de um laboratório standard no processo de regulamentação das escolas públicas no Paraná.

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Objetivos, obstáculos y riesgos de la formación científica del profisional

Miguel D. Rojo González

Doutor, Departamento de Formación Basica de la Facultad de Psicologia de la Universidad de La Habana, Cuba

 

RESUMEN

En este artículo el autor expone sus opiniones, fruto de más de 25 años dedicado a la formación científica de profesionales universitários, sobre los objetivos, los obstáculos y los riesgos de la formación científica de los profesionales. Considera así que la formación científica puede contribuir significativamente a la eficiencia y la productividad del profesional en tanto le brinda el fundamento del saber tecnológico y com ello la posibilidad de crear nuevas reglas e instrumentos y de valorar anticipadamente sus resultados posibles. Entre los obstáculos se señala, en primer lugar, la falta de coincidencia entre la orientación práctica-profesional con que llegan los estudiantes a la universidad y lo que los currículos le ofrecen en ese momento y, en segundo lugar, las concepciones "científicas" adquiridas espontáneamente en la vida cotidiana.Por último el autor nos habla de como a través de la formación científica se puede combatir y minimizar dos de los mayores riesgos de la formación tecnológica, como son, la dogmatización y la tecnocratización.

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Proyecto 2000+: Cambiando la enseñanza de la ciencia para el siglo XXI

Jack Holbrook

Ph. D.

Secretario ejecutivo del Consejo Internacional de Asociaciones para la Enseñanza de la Ciencia (ICASE)

 

RESUMEN

En un intento para fomentar más pensamientos sobre educación a través de los campos de la ciencia y la tecnología, ambos dentro del sistema formal y para todos los ciudadanos, UNESCO y ICASE iniciaron el Proyecto 2000+. Su meta es fomentar un mayor nivel de alfabetización científica y tecnológica para todos como una prioridad educacional. Reconoce la necesidad de prestar atención a la educación de todos los ciudadanos y que ya no es apropiado ser guiados por prioridades más relevantes para el pasado. Este trabajo describe el Proyecto 2000+, tareas específicas e investigaciones a ser emprendidas, y considera la manera en la cual la enseñanza de la ciencia necesita cambiar para lograr las metas del Proyecto 2000+ en el siglo XXI.

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Ensinando Alfabetização Científica

John E. Penick

Ph. D.

Departamento de Matemática, Ciência e Tecnologia da Educação / Universidade da Carolina do Norte - EUA

 

RESUMO

Como a alfabetização em ciências não se define em uma frase ou duas, temos consistência considerável nas descrições das características das pessoas alfabetizadas em ciências. Estas descrições prevêem que uma pessoa que aprecia as ciências e o esforço científico usa as ciências diariamente e se sente impelida a aprender ciências quando é necessário. Enquanto pouca evidência existe para mostrar o valor econômico da alfabetização em ciências, a maioria concorda que as características descritas são aquelas que queremos para nós mesmos e para outros. Ninguém estaria contra o ato de deter os atributos relacionados pela AAAS ou pela NSTA. O maior tópico é, talvez, a redução da quantidade de conhecimento específico como parte da estrutura da meta. Contudo, grupos (tais como a NSTA e a AAAS) que têm tentado especificar o conhecimento exato a ser adquirido não têm ganho apoio global para estas listas. A maior parte das evidências mostra que podemos melhorar a alfabetização em ciências (conforme definido pela AAAS e pela NSTA) e os melhores procedimentos para se fazer isto são relativamente claros e provavelmente igualmente relevantes para uma variedade de áreas de disciplinas escolares. Os professores devem promover a alfabetização em ciências aberta e diretamente, mas através de estratégias didáticas que são consideravelmente diferentes da norma. Os professores (e seu ambiente de sala de aula) devem estar abertos intelectualmente com oportunidades sistemáticas para a tomada de decisão por parte dos alunos e também para agir. Os alunos construirão seus próprios significados; nossa tarefa é nos assegurarmos de que estes significados são congruentes com a realidade desejada, enquanto os ajuda-mos a aprender como usar o que eles construíram. Como sabemos há anos, tudo isto demanda um professor bem habilitado e com alto grau de profissionalismo; um professor que aprenda com os alunos, que estimule e que, sobretudo, crie um ambiente seguro onde as idéias e os tópicos possam florescer. O professor, como o jardineiro, não pode fazer com que as sementes germinem. Porém, os dois podem preparar o ambiente, lutar para eliminar interferências e propiciar o crescimento desejado. E, ambos, requerem habilidade, educação e considerável abstração e previsão.

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Da homogeneidade biológica à heterogeneidade cultural:

o papel da construção de significados no desenvolvimento humano

 

Howard A. Smith

Ph. D. da Faculty of Education, Queen's University, Canadá

 

RESUMO

O principal objetivo deste artigo é defender a tese de que: (a) todos os seres humanos são dotados do mesmo potencial biológico para sobreviver em meios físicos e culturais diversos, e (b) o desenvolvimento humano depende mais de significados criados a partir de experiências pessoais em contextos culturais do que de traços biológicos ligados à idade. Como segundo objetivo deste trabalho, e com base nos dois argumentos acima, são apresentadas cinco implicações gerais para a educação em contextos multiculturais.

 

Tradutor: Ph.D. José Erasmo Gruginski (UFPR)

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Desenvolvimento Profissional de Professores: prática evolucionária, reforma curricular e mudança cultural

Joan Solomon

Ph. D. Center for Science Education

Open University - Reino Unido

 

RESUMO

O artigo trata da discussão sobre a profissionalização dos professores a partir das experiências e das discussões produzidas, principalmente, na Inglaterra e nos Estados Unidos. O artigo sustenta que os professores constituem o patrimônio cultural mais importante na educação de um país, e o principal patrimônio destes professores não é o domínio de conteúdos específicos ou pedagógicos per se, mas sim o seu status social, tanto aos olhos da comunidade como aos seus próprios olhos.

 

Trad. Ms. Vivian Leyser da Rosa (UFSC)

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